domingo, 15 de janeiro de 2012
TCS Dupla Semana de Bill Hicks: 08.01.2012 - Rant In E-Minor /15.01.2012 - Arizona Bay
Nas últimas duas semanas foram estes dois álbuns que rechearam de humor e verdade o éter dos 107.9FM. Pura loucura na antena, se me permitem o entusiasmo! E porquê gastar duas semanas a passar dois álbuns do Bill Hicks? Bem, porque estes são, sem dúvida alguma, dois álbuns únicos na história do Stand-Up Comedy.
Ambos lançados no ano de 1997, cerca de 3 anos após a morte de Bill, os dois álbuns compilam não só algum do melhor material deste comediante como também uma interacção (em tudo experimental) com música original, composta por Bill e os seus amigos Kevin Booth e Pat Brown enquanto Marblehead Johnson. Álbuns bem estruturados (o Arizona Bay está ligeiramente mais organizado) e bem conseguidos. Sempre que há algum tema que seja mesmo importante, que realmente querem que seja ouvido, podemos reparar que o som do público é diminuído, dando lugar a uma música ambiente que umas vezes conta com Bill a falar em primeiro plano enquanto que noutras, toma conta da rodagem temporal do álbum por si mesma.
Apesar de o meu preferido ser o Rant In E-Minor, devo admitir (pois é bastante óbvio) que o Arizona Bay está muito mais bem organizado, mais coerente tendo em conta o alinhamento do conteúdo e a montagem com a música.
Rant In E-Minor é um álbum mais espiritual, mais abrangente, que mais facilmente chega a entidades (quem sabe) mais longínquas da realidade americana que Hicks tão fervorosamente criticava. É também aquele que tem mais material da fase final da vida deste comediante. Muito do material que aparece no Rant In E-Minor é algum do que foi usado na sua última contribuição no Late Night Show de Letterman que, infelizmente, foi proibido de ir para o ar (isto a 1 de Outubro de '93, se não estou em erro), mas que, em 2009, foi transmitido no mesmo programa, com a presença de Mary Hicks e as formais e públicas desculpas de Letterman à família. Resumindo: Rant In E-Minor é um experiência mais psicológica, espiritual, mais abrangente e madura (se me permitem esta última).
No que toca ao Arizona Bay, acaba por ser um álbum mais específico e fácil de entender por pessoas que estejam familiarizadas com a realidade americana (quer da altura, quer actualmente). É um disco que se destina mais a "picar" e a criticar (muito especificamente) os cidadãos (com especial ênfase para Los Angeles) e governantes americanos, especialmente o "Papá Bush" (quem diria...). Resumindo: Arizona Bay é um álbum muito "específico", não tão abrangente ou espiritual como o Bill Hicks mais tardio que muitos conhecem. Mas, em termos técnicos, é mais bem organizado por comparação ao Rant In E-Minor.
Esta é a minha muito "aérea" review. Dá para ter um cheirinho daquilo com que podem contar se estiverem interessados em se abstraírem da fossa fútil e insignificante realidade física, saltarem para mais uma etapa da pertinente evolução psicológica de que tanto precisamos e irem de encontro à cordial e preocupada mente de Bill Hicks (que profundo).
Uma boa semana a todos, meus caros amigos e amigas.
Bem haja!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário